LÍNGUA PORTUGUESA



ESTILÍSTICA

A Estilística  é uma ciência recente  fundada no início do século XX pelo suíço Charles Bally, estuda os recursos afetivo-expressivo da língua, o estudo da expressividade, ou seja, trabalha os recursos básicos da língua como a função da  linguagem, estilo, desvio e escolha.

O Estilo é o uso individual dos recursos expressivos da língua é o máximo de efeito expressivo que se consegue obter dentro das possibilidades da língua.

No eixo sintagmático temos a  representação, que  é a linguagem referencial e denotativa, que opera linearmente no eixo. A expressão é a exteriorização psíquica de nossos anseios e sentimentos, e o apelo é o meio pelo qual exercemos influência sobre nossos interlocutores ou leitores, no caso da língua literária. 

Essas duas funções podem ter caráter conotativo e operar simbolicamente no eixo paradigmático. A expressão e o apelo  interessam  à estilística e a representação, por sua natureza intelectiva diz respeito à linguística.



A Estilística e a gramática não são excludentes, são complementares, ambas se completam, o método de analise estilística segue divisões clássicas da gramática, parte da tripartição em estilística fônica , léxica, e sintática.

A Estilística Fônica estuda os recursos expressivos presentes no nível fônico de natureza sonora da língua. A estilística léxica também pode ser estudada em casos semânticos e morfológicos, a sintaxe por atuar no nível de frase, oferece recursos expressivos  de estudos gramatical e estilístico  fértil  da língua.

A presença da estilística nas aulas de português é de muita relevância  pois desperta a sensibilidade linguística e o gosto literário do aluno, sobretudo como subsídio  para a prática da redação e da compreensão de textos. Na estilística nos interessa saber a forma como o texto foi escrito, e não o seu conteúdo, não se trata de uma interpretação, de saber o que quer dizer o texto, trata-se da forma e do estilo  utilizado pelo autor  para construção do texto baseado em escolhas, muito embora, a forma, o estilo e  a escolha  irão  fazer uma combinação com o  conteúdo, e por fim identificaremos a junção de conteúdo e escolha no texto. 

Iremos fazer uma análise estilística do poema de Vinícius de Morais " o Relógio "  para que possamos  ter uma ideia de como essa análise pode ser feita de acordo com a forma e ou estilo de cada autor, uma vez que cada um tem o seu próprio estilo individual. Mas, antes, assista ao vídeo com o poema " O relógio"  declamado e cantado:



Vamos à  análise estilística:  O relógio - Vinícius de Morais 

Passa, tempo, tic-tac 
Tic-tac, passa, hora 
Chega logo, tic-tac 
Tic-tac, e vai-te embora 
Passa, tempo 
Bem depressa 
Não atrasa 
Não demora 
Que já estou 
Muito cansado
Já perdi 
Toda a alegria 
De fazer 
Meu tic-tac 
Dia e noite 
Noite e dia 
Tic-tac 
Tic-tac 
Dia e noite 
Noite e dia

No livro a Arca de Noé  de Vinícius de Morais encontramos o poema Relógio que é um poema próprio para criança, os poemas próprios para criança tem que ser feito de forma  lúdica com simplicidade e ritmo , vejamos a análise:

Vinícius de Morais se utiliza da onomatopeia do “Tic- Tac “ para dar ritmo e efeito sonoro  ao poema, a repetição do Tic Tac provoca um recurso sonoro expressivo do som do relógio.
Temos as escolhas lexicais feitas pelo autor para apontar  palavras que combinem com o título do poema que é Relógio, são elas: Hora, tempo, atrasa, noite, dia, demora, depressa, que foram escolhidas de propósito pelo poeta para combinar a forma com o  conteúdo.

Temos uma oposição de palavras  que são  interpostas pela própria onomatopeia  que são Tic Tac , os fonemas /i/ e/ a/ se opõem , já que  o  / i/  é fechado, e o /a/  é aberto. Temos também o contraste de  outras palavras  como “chega logo Tic Tac”  “Tic Tac e vai te embora” “ Bem depressa” “Não demora” “noite e dia” “ noite e dia”  é  um contraste próprio de  um tempo que está em movimento como as horas do relógio, pura onomatopeia.

Como as métricas dos versos vão diminuindo, a construção estilística   nos passa a ideia de que o tempo vai chegando ao  fim, posto que começou com  a ideia de que o tempo está se acabando por que começa com  um verso setissílabos e  terminou com versos trissílabos, mas o autor terminou o poema com reticências para dar uma ideia de inacabado, tempo que não para.


Atividades 

Veja o Vídeo  declamado com o Soneto de Fidelidade de Vinícius de Morais e  em seguida a letra do Soneto e faça o que se pede: 

Soneto de Fidelidade  (Vinícius de Morais)

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto

Que mesmo em face do maior encanto

Dele se encante mais meu pensamento
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto

E rir meu riso e derramar meu pranto

Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive

Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama 

Mas que seja infinito enquanto dure

De acordo com os seus conhecimentos sobre análise Estilística, faça a análise do Soneto de Fidelidade  de Vinícius de Morais,  levando em consideração  os aspectos sonoros e expressivos: rimas, métrica, e identifique  caso haja  alguma figura de linguagem. 

Estilística  da Palavra 


Você já ouviu falar sobre estilística da palavra?
A estilística da palavra estuda os aspectos expressivos da palavra, esses ligados a componentes semântica e a morfológicos, ou seja, apenas teoricamente separamos a palavra (léxico) das regras (gramática).
Ao analisarmos um determinado texto, como por exemplo anúncios publicitários, devemos atentar-nos as escolhas de palavras feita pelo autor, que no caso será um publicitário.

Veja o exemplo:



Deixe o sorrisinho amarelado de lado!”

Essa frase é de um anuncio de creme dental. Atentando-se para o tempo verbal do verbo deixar, na frase como subjuntivo perfeito, como “DEIXE”, remete-nos a impressão de que devemos de fato de deixar nosso sorriso atual de lado, pois indiretamente o verbo nos passa a ideia de que nosso sorriso está amarelado de fato. Nosso subconsciente entende o “deixe” como uma ordem e, não como uma sugestão.
Isso prova que a palavra tem o poder de convencer-nos e, de alguma forma manipular-nos. 
Basta o autor fazer a escolha da palavra certa, no lugar correto do texto, ou da oração.


Outro Exemplo:







O verbo viver, conjugado como subjuntivo do presente “viva”, provoca-nos a expressão de eterno, como se não tivesse um limite para vivermos, o lado bom da vida e, mesmo que o produto seja bom, ou não, a frase o valoriza, pois não sugere que a Coca-Cola lhe dará um momento bom, mas que o produto, é de fato, o melhor lado que temos para nossa vida.



Vamos analisar então outra situação.
Quando digo:

“Que menina bonitinha!”

Não causa o mesmo impacto do que se eu dissesse, “Que bela menina.” A palavra “bonitinha” não provoca a mesma interpretação da palavra “bela”, o bonitinha nos dá a expressividade de uma menina bonita, porém comum, já a palavra “bela” nos remete algo belo, maravilhoso, fora do comum.


Então, vamos praticar?

Analise as frases a seguir e responda nos comentários.


  • “O homem era forte como uma teia de aranha.”


Essa comparação, expressa-nos que a força do indivíduo era algo surpreendente, ou essa comparação, apresenta-nos um sentido pejorativo?



  • “Vamos para festa de Isabela?”, ou, “Você irá mesmo, à festa de Isabela?”

Acima temos duas interrogações, agora observe, elas possuem o mesmo sentido expressivo?


  • “Eleonora fez o teste para novela, mas infelizmente não passou.”, ou,
  • “Eleonora participou do teste para novela e, não passou.”

Lemos duas sentenças, agora responda, mesmo as orações transmitindo a mesma mensagem, ambas expõe o mesmo valor expressivo?



Agora que sabemos um pouco do valor expressivo presente na língua portuguesa, vamos discorrer superficialmente, sobre Sinônimos.
Para saber mais clique no link:



Vamos praticar?


  • “O indivíduo é um homicida.”


Quais os termos da língua, que poderíamos adequar, no lugar da palavra “homicida”?

A) Criminoso
B) Delinquente
C) Assassino

OBS: Lembrem-se de colocar sua resposta nos comentários.


Agora que temos uma pequena compreensão do que é sinônimo, você verá que, existe diferenças entre eles.
Para saber mais acesse ao link:
http://www.brasilescola.com/portugues/semantica.htm


OBS: As diferenças entre os sinônimos é algo difícil de identificar, porém podemos memorizar duas características, a seleção e, a combinação.
De maneira quase grosseira, digo-lhes: Selecione o sinônimo e combine-o na sentença.

Vamos praticar?

Com a forma coloquial da língua, qual sinônimo substituí:


  • “Sinto-me comovido com a situação daquele homem miserável.”
  • “Meus honorários estão absurdamente atrasados.”
  • “Se fosse possível gostaria de criar um paquiderme.”
Agora que você praticou um pouco dos sinônimos coloquiais, tudo ficará por sua conta, leia a frase atentamente e responda nos comentários o sinônimo que melhor se encaixaria na sentença. Altere o sinônimo sublinhado, atente-se aos determinantes, pois talvez seja necessário ser alterado.


  • “Não se aperreie! Irei preparar uma mandiocapra comer.”
  • Pobre do homem, que acha-se superior a seu semelhante.”
  • “Sobre meu corcel, erguerei meu lábaro, em um dia de zéfira.”
  • “Que bela prenda.”
  • “Iremos serrar uma boia.”
  • “Cuidado! Comendo assim ficará gorda
  • “Esse vício irá te matar!”
  • “Aquela jovem possui um físico magro.”
  • “A cidade vive um verdadeiro caos.”

A seguir, algumas propagandas, responda nos comentários, o que você analisou nas palavras e o que elas expressam. Lembre-se nada no texto é por acaso, então, observe os verbos, adjetivos, tudo o que prende sua atenção, que de certa forma o faz consumir, pois é essa a finalidade do anúncio, provocar no leitor o desejo de adquirir o produto.

Para responder a este anúncio acesse ao link:
http://meuartigo.brasilescola.com/portugues/ambiguidade-para-alem-texto-verbal.htm
http://www.brasilescola.com/redacao/ambiguidade.htm
 


Propagandas para exercícios:
 
 

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