LITERATURA INFANTO JUVENIL E ÉTICA

Diferenças e preconceitos na Escola

Vivemos em uma sociedade capitalista na qual as diferenças sociais são gritantes  e consequentemente  essas diferenças socioeconômicas  interferem  de forma direta nas relações  interpessoais dos indivíduos. Todavia, essa desigualdade não se restringe apenas ao campo econômico, ela se alastra por várias esferas da vida humana.
De acordo com o  Julio Groppa Aquino, o preconceito faz parte do nosso comportamento  cotidiano, pois nos deparamos diariamente  com situações preconceituosas seja em  atos   e ou ações, ou  em discurso  proferido  em palavras.
A  sala de aula é   um dos campos que mais   presenciamos a intolerância com relação ao diferente,  encontramos todos os tipos de preconceitos, sejam eles de etnia, raça, sexo, social, econômico, religioso, preconceito linguístico, entre outros, a  situação está ficando cada vez mais preocupante,   e a consequência disso são as ações criminosas de  ex alunos que sofreram algum tipo de Bulling no passado   e depois voltam  a escola para se vingar  dos alunos, desses transtornos vividos em sala de aula,  surgem os massacres  e tragédias nas escolas,   como foi o caso do jovem Wellington,    na cidade do Rio de  Janeiro   um tempo atrás, que matou muitas crianças em uma escola   da qual estudou e sofreu  algum tipo de zombaria ou sátira, o Bulling propriamente dito.

Veja  o vídeo  abaixo para relembrar   como  o  preconceito, e consequentemente o Bulling,   é prejudicial  à  vida  do ser humano  e  pode  transformar em tragédia:




Temos também o preconceito linguístico que abrange várias áreas,  como  é o caso  do preconceito  na forma de falar das pessoas, seja  o falar   regional, local, Estadual, urbano, Rural, gírias, dialetos, com relação ao  sexo, entre outros, devido ao fato  de que  convencionou-se que  a forma de falar correta  é aquela que  se fala de acordo com  a norma culta da língua e com as regras gramaticais renegando todas os falares  existentes no país uma vez que a língua está sempre em  constante  mudança, além claro  de ignorarem que o que importa para o falante é a comunicação e não as normas impostas.
Alguns exemplos abaixo  de falares diferentes  da norma padrão mas que se faz  comunicar:

Veja que   essa história  acima em quadrinho de Chico Bento , apesar de não está de acordo com a norma culta da língua, nos passa  uma ideia, ou seja, comunica,  uma vez que trata de um tema atual que foi a escolha do Papa e o nome  dado ao Papa atual. 
Essa outra história abaixo,  mostra que se não  houver uma perfeita comunicação na hora de enviar ou transmitir a mensagem, ainda  que de forma diversa de  falar do falante,  o interlocutor pode entender de forma diferente do que se deseja que entenda, por isso, é necessário que saibamos todas as variantes da língua pois mesmo em um mesmo dialeto, a compreensão pode ser comprometida.



Encontramos também o  preconceito  causado pela religiosidade , algo que não é novo, porque desde os tempos da inquisição na Idade Média  que a intolerância religiosa já se fazia presente  e  perseguia   o diferente de forma a  discriminar e muitas vezes eram levados à forca por causa  de  dogmas imposto pela religião católica. Desse preconceito dentro da sala de aula, surge ainda o preconceito contra os homossexuais, que são satirizados o tempo todo em forma de riso, cochicho etc. Veja a foto  abaixo  que retrata o que estamos querendo dizer de forma a conscientizar a sociedade para o respeito ao diferente:


Somos uma sociedade sem preconceitos? Não temos conflito entre negros e brancos?
Infelizmente no Brasil  ainda temos o preconceito racial, no qual  temos poucos negros nos colégios,  nas universidades, em cargos de confiança, ocupando  cargos importantes, em concursos públicos ou ganhando altos salários , em cargos de direção,  e tudo isso é fruto da ação preconceituosa  da sociedade para com  a raça negra  que sofre  durante anos por causa desse preconceito racial.
 Veja  a foto abaixo, ela nos conscientiza da importância de sermos  iguais em nossas diferenças:


O  pré-conceito não existe por si só, mas como parte de  nossa  atitude em relação a alguém ou a alguma coisa, é um conjunto de representações  construídas pela psique e no convívio social, ou seja,  convencionados  pela sociedade   em que vivemos. O pré- conceito  é uma  opinião já formada  a respeito de determinado assunto, pessoa ou objeto. É a instituição da lei social não refletida,  a  grosso  modo,  é a negação do outro como tal, é a atitude intolerante e  agressiva  com relação ao  diferente.Se quisermos ser tolerantes, temos que aprender que o outro ou o diferente existe enquanto tal, e reconhecendo-o como tal e diferente de mim,  e que dessa forma haja  o respeito com relação ao outro, por que  o nosso direito termina, quando começa o direito  do outro.
Tolerar é admitir a existência  e liberdade do outro, o direito desse outro ser diferente de mim, seja na maneira de pensar, agir, crer , e enfim na liberdade de ser.

Existe também o preconceito pautado na questão do gênero sobre pessoas de sexo diferente, Homem e Mulher, é comum a mulher sofrer preconceito por exercer uma profissão que geralmente quem ocupa tal função é o homem , um exemplo disso é quando uma mulher trabalha como motorista de ônibus ou de táxi, ela sempre será vítima do preconceito devido ao fato que a sociedade está acostumada a ver homens ao volante de um ônibus, cargos que segundo os preconceituosos, são para homens e não para mulheres. Todavia estamos no século XXI e as mulheres avançaram e muito em vários fatores da vida e o lado profissional é um dos principais avanços, consequentemente será comum ver uma mulher no cargo de chefia de uma empresa, administrando empresas, presidente da República , chefes do lar, entre outras profissões e afazeres, muito embora, por causa desse preconceito de gênero, recebem salários menores do que os homens que exercem a mesma função. Vejamos um exemplo da mulher em atividade e que não deixa em nada a desejar: Maria Aparecida Malta Borges, 42 anos, é um típico exemplo de mãe-mulher-esposa que levanta da cama ainda de madrugada para pegar literalmente no pesado. Ela é motorista de ônibus de transporte coletivo de Maringá. Há um ano e três meses, a rotina dela é percorrer, durante as sete horas e vinte minutos de trabalho ininterrupto, cerca de 150 quilômetros por dia.


·        Como você tem lidado com  a questão do preconceito? 

·        Você sabia que o preceito pode ser manifestado de várias formas?

·        Você sabia que o  olhar, o gesto, o cochicho, o tom de voz  podem ser manifestações de preconceitos?

·        Em sua opinião, como seria na prática  a solução para 

esse problema cotidiano? 


Nó na Garganta


É um livro de literatura infanto- juvenil que relata a história de uma garotinha “Tânia” de 10 anos, que se muda com seus pais, de São Paulo para Santana, uma praia no litoral de São Paulo. Tânia morava em uma favela, e ao se mudar descobre coisas novas, em termos de emoções e conhecimentos. . Descobre que não é fácil ser aceita pela cor de sua pele negra e que nas pequenas coisas surgem as implicâncias e desprezo, pois não é fácil enfrentar o que não se conhece. Sua maior dificuldade era lidar com o preconceito o qual ela era vítima.

– Uma vez por ano até escravo tem vez!

– Escravo, por quê? Quem é escravo aqui?
– Você, ué! Filho de escravo o que é hem?
– E meu pai é escravo por quê?
– Teu pai é empregado. Tua mãe é empregada. Eles estão aí pra servir. Pra servir a Gente. Para fazer as coisas que a gente manda. 
(PINSKY, 1991, p. 71)


O problema consiste exatamente na intenção de denúncia. Afinal, o que se observa na maioria das histórias é a inferiorização dos personagens negros e dos espaços em que
São situados, por serem tecidos à margem dos personagens brancos.

(OLIVEIRA, 2003,
P. (3) OLIVEIRA, Maria Anória de J. 
Negros personagens nas narrativas 
literárias infanto-juvenis
Brasileiras: 1979 – 1989. 2001 
Dissertações (Mestrado em Educação) 
Departamento daUNEB, 
Salvador, 2003.

1- Identifiquem no trecho acima ações de racismo.
2- Em que sentido a palavra escravo e empregado tem relação?
3- Independente de sua etnia, ser for empregado, você se considera escravo? Explique.
4 - Nos dias atuais ainda existe esse tipo de preconceito relacionando a inferiorização de brancos e negros? Justifique.

Como já foi descrito, esse livro aborda vários temas, um deles é diz respeito ao bullying, um ato preconceituoso que muitas vezes interfere no desenvolvimento pessoal de um indivíduo. Separamos alguns trechos da obra para compreender:

“A” de “avião”. Nunca viu um avião de perto, só voando no céu. Avião é uma coisa pequenininha que passeia pelas nuvens com gente na barriga. Tânia desenha um avião na lousa. A professora, de costas, corrige os cadernos. Tânia desenha uma casa com arvores. Depois coloca as pessoas dentro da barriga do avião. O avião tem janelas e pelas janelas as crianças podem enxergar os bois pastando na montanha. Tânia desenha cinco bois, todos voltados pro mesmo lado. Fona Vera se volta:

_ Ué! Isso ai é o “A” que mandei?
_ Oh, tá cheio de “A” D. Vera! Tem um no avião, outro na asa, outro no boi.
Dona Vera, que anda apaixonada e feliz, não consegue bronquear com a menina:
_ E onde é que fica esse “A” do boi, Tânia?
_Na “Arelha” dele dona Vera.
Quem estava prestando atenção cai na gargalhada. Tânia fica um pimentão. Quase tudo quanto é palavra tem a letra “A” e ela vai justamente escolher a que não tem!
O pior é o apelido que pega na hora: Taniarelha. Durante o resto da aula é aquela gozação.


[os professores] sentem pena dos “coitadinhos” em vez de uma atitude responsável queConsistiria, por um lado, em mostrar que a diversidade não constitui um fator de.
Superioridade e inferioridade entre grupos humanos, mas sim, ao contrário, um fator de.Complementaridade e de enriquecimento da humanidade em geral. 


MUNANGA, Kabengele. 
Negritude: Usos e Sentidos. 
São Paulo: Editora Ática, pag 08.

1 - Como deve se portar um professor, que presencia um ato agressivo como o bullyng?
2 - Em sua opinião a professora negligenciou o abuso das crianças?
3 - Você acha que desde cedo à criança deve aprender a respeitar ao próximo como ato de cidadania e civilidade?
4 - Como você transcreve os sentimentos de Tânia perante o ato maldoso de outras crianças?

Outro fato curioso nessa obra é a descrição verídica de uma família de classe baixa.


Ao relatar uma criança de dez anos ajudarem em a seus pais nos afazeres domésticos. A protagonista representa o feminino que é representado pela repressão de classes dominantes. 



CUNHA, E. L. Literatura comparada e estudos culturais. In: MARQUES, R.; BITTENCOURT, G.N. (Org.). Limiares críticos: ensaios de literatura comparada. Belo Horizonte: Autêntica, 1998.
DUARTE, E. De A. Gênero e comparatismo. In: MARQUES, R. BITTENCOURT, G. N. (org.). Limiares críticos: ensaios de literatura comparada. Belo Horizonte: Autêntica, 1998.


A mãe limpava a casa de D. Matilde Era uma sala enorme, muito alta, com poltronas e sofás junto às paredes. Na parede do fundo, estava encostada uma estante alta, sapecada de estatuetas. Tinha quadro por todo o lado. A mãe esfregava o chão com um trapo úmido. Estendeu um pano de pó para Tânia e disse:

- Vá tirando o pó das mesinhas. Mas tome cuidado, que não quero complicação.
Tirou o pó das mesinhas e dos quadros. Foi chegando até a estante. Eram três prateleiras cheias de bichos e homens feitos de barro, cerâmica e vidro. Encantou-se com um boi coberto de laços.
_ Ó mãe, esse boi acho que vai casar. Vê só como ele tá enfeitado!
_ Larga mão disso, menina. Não disse pra não mexer nas coisas de dona Matilde? Eu falei pra você só tirar o pó das mesinhas. Se você quebra, a mulher desconta do ordenado da gente e não vai dar pra pagar a mesa que a gente comprou.
Não deu nem tempo de dona Cida acabar de falar e o boi esbarrou a perna na estante e rachou. Tânia viu que com boi não dava sorte mesmo. E se a mãe visse? Mas a mãe estava agachada e Tânia encobria o enfeite com o corpo. Ajeitou o boi e a pata de um jeito que ele parecia inteiro. Pensou nessa dona Matilde não conhecia. Devia ser velha e gorda e ter uma verruga debaixo do olho esquerdo. Se ela fosse brigar por causa de um boi de barro, ela que tinha um montão de outros enfeites mais bonitos, é porque ela devia gostar muito daquelas coisas todas. Mas como é que cabe dentro da gente gostar de tanta coisa? Será que dona Matilde gostava tanto do boi como ela do Genival? Mas se ela, Tânia só tinha Genival... O pior é se a velha descontasse do salário da mãe. Dai não dava pra pagar a mesa e muito menos comprar a televisão que o pai tinha prometido. E se dona Matilde mandasse eles embora? Dai não ia ter mais praia, não ia ter mais escola com a professora cheirando a sabonete, não ia mais ter mar com onda forte, nem floresta com macacos e leões. Tânia deslizou porta afora e foi encontrar o pai regando a grama.


1 - Após ajudar nas tarefas do lar, qual era o principal medo de Tânia?
2 - Porque Tânia comparou o amor de dona Matilde pelo boi com o dela pelo Genival?
3 - Porque Tânia não queria que descontasse do salário de sua mãe o boi que ela havia quebrado?
4 - Comente como Tânia sobressai de sua travessura sem ser descoberta.
5 - Você acha comum presenciar uma criança fazendo serviços braçais? Comente.
6 - Nesse trecho constatamos o trabalho e consumo. Como você relaciona esse comportamento em sociedade?


Para continuar a falar de consumo, nessa obra também encontramos um trecho que descreve o superconsumo e a frustração para conseguir objetos em um leilão. 


Pai de Tânia, com a ajuda de Pedrinho, também participa do leilão, “mas não deu nem para alegrar. Os três perceberam que a boneca estava perdida.” E, no momento em que Juliana apanha a boneca e sai correndo, a protagonista ainda corre atrás da amiga e pede para segurar um pouquinho, porém ela sai em disparada, dizendo que vai guardar a boneca, pois pode sujar a roupa dela.

Começou com 50 cruzeiros de lance. Seu José gritou: __ setenta!
Tânia sentiu o coração pular. O pai tinha entrado!
_cento e dez disse seu José....
... Os lances subiram rapidamente. O povo assistindo um pouco surpreso. No final, parecia que não era mais a boneca que estava em jogo, mas o prestígio dos lançadores. Mas seu Carlos desistiu antes, quando seu Nogueira gritou:
_ Um mil e setecentos cruzeiros!


A violência simbólica se institui por intermédio da adesão que o dominado não pode deixar de conceder ao dominante (e, portanto, à dominação) quando ele não dispõe, para pensá-la e para se pensar, ou melhor, para pensar sua relação com ele, mais que de instrumentos de conhecimento que ambos têm em comum e que, não sendo mais que a forma incorporada da relação de dominação, faz esta relação ser vista como natural. 

BOURDIEU, Pierre. A dominação masculina. 
Trad. Maria Helena Kühner. 
Rio de Janeiro: BertrandBrasil, 2007.

1- Você já viu ou participou de um leilão?
2- Porque o narrador inferiu no texto, em guardar a boneca para não sujar a roupa, você pode interpretar como duplo sentido?
3 - Ao citar o trecho, “ No final, parecia que não era mais a boneca que estava em jogo, mas o prestígio dos lançadores”.

Em sua opinião você concorda que competição foi acirrada por os personagens serem do sexo masculino? Explique.

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