LITERATURA BRASILEIRA

  O Ultrarromantismo 

No século XIX, Jovens poetas universitários de São Paulo e Rio de Janeiro reuniram-se em um grupo dando origem à poesia romântica brasileira conhecida como Ultrarromantismo especificamente   na década de 50 e 60. Essa geração foi influenciada pelo escritor inglês Lord Byron conhecida como “geração byroniana”, cujo estilo de vida era imitado.
No Ultrarromantismo, o tema central da literatura não era mais o nacionalismo e o indianismo escrito por José de Alencar no Romantismo, que era voltado para a literatura  nacionalista. Agora todos os holofotes pairavam sobre o subjetivismo, Pessimismo, ócio, desgosto de viver, anseio pela morte, devido ao fato de que essa geração sentia se perdida sem  projeto de vida que os motivassem a continuar a vida. Em meio a essa falta de perspectiva de vida, essa geração ainda contava com o mal do século, muitos jovens e poetas morriam ainda jovens entre  vinte  e  vinte cinco anos por causa da doença tuberculose que assolava o Brasil, quem tinha condições de se tratar  em outro país conseguia escapar, caso contrário, a morte era certeza.Diante desse processo sofrido pelos jovens, o caminho que muitos buscavam era o caminho das drogas, o apego a bebida alcoólica, atração pela noite, e pela morte que ficou caracterizado como o “Mal-do-século”.Essas características eram encontradas nas obras dos principais autores da época como Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Fagundes Varela, e Junqueira Freire que acrescentavam em suas obras  temas macabros e satânicos.
As características principais desse movimento literário são:
  •  Subjetivismo
  •  Sentimentalismo
  •  Egocentrismo
  •  Morbidez (desejo pela morte)
  •  Melancolia
  •  Individualismo
  •  Pessimismo
  •  Egolatria

Vídeo com o resumo do Ultrarromantismo


Um dos Grandes representantes da época: Álvares de Azevedo




Imagem que retrata a solidão e desejo da morte presente nesta escola literária.



Poema de Álvares de Azevedo que fala da morte:

Se eu morresse amanhã
Se eu morresse amanhã, viria ao menos. 
Fechar os meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!
Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã
Que sol! Que céu azul! Que Doce n'alma
Acorda natureza mais louçâ!
Não me bate tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã
Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afâ...
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!

Será que nessa geração atual, os jovens não estão sofrendo dessa mesma falta de perspectiva de vida?  Será que nossos jovens não estão enfrentando essa mesma desilusão, desgosto com a vida, desejo pela morte e estão se auto destruindo nas drogas e vícios diversos?  Levando em consideração que nos dias atuais, as drogas são encontradas nos corredores das escolas públicas e particulares, e o número de viciados em entorpecentes está ficando cada vez mais frequente em cada lar que sofre com esse mal, o que podemos pensar sobre essa geração? Qual seria a solução que poderíamos aplicar para que nossos jovens não percam a esperança de um futuro melhor? Quais seriam os projetos ideológicos dos quais deveríamos lutar para que possamos salvar essa geração do mal que assola, não só a segunda geração do romantismo, mas que está bem presente no modernismo de nossos dias?

Veja uma foto da realidade moderna que tem apavorado a sociedade nos dias atuais. 



Assim como acontecia no Ultrarromantismo , acontece com os nossos jovens de hoje, e a pergunta que fazemos é:

As causas dessa revolta e falta de perspectivas de vida são as mesmas? 

Os poetas de modo geral. Como haviam perdido a esperança de  um futuro promissor por uma série de fatores como a morte por causa da doença tuberculose que aterrorizava o país naquela ocasião e muitos jovens morriam por  esse motivo, eles então começaram a procurar uma forma de viver de modo que se entregavam aos poucos  à destruição, ou em outros casos, ao amor e as mulheres.
Essa realidade pode fazer uma ponte com os dias atuais?  Em que aspectos a modernidade pode ser comparada com o ultrarromantismo?

Vejamos uma letra de música “Mulher diabo” de Matanza.

Está presente nesta canção a imagem da mulher como um ser de esplendor que leva à perdição. Isso está explicito no trecho:

“... Você fica totalmente sem ação. 
Não consegue mais falar, como quem vê congelar. 
O momento que ela entra no salão
E vai beber, vai cair e levantar. 
E começar beber de novo 
Só com muito sacrifício 
Chega em casa de manha 
Ate ai tudo bem só que é todo dia sim outro também 
E tudo isso é culpa da mulher diabo...”.

Podemos comparar as ideias da música com a obra Noite na Taverna, de Álvares de Azevedo, que conta a história de vários jovens que tem o seu destino amaldiçoado por mulheres que entram de repente em sua vida.  

Resumidamente o desfecho da obra é: 

É noite alta na taverna, todos dormem. Entra uma mulher pálida, vestida de negro, procurando alguém com uma lanterna na mão. Vê Arnold, tenta beijá-lo, mas o deixa em paz, voltando-se para Johann, tornando-se, subitamente, sombria. Traz, além da lanterna, um punhal, que crava no pescoço deste último, enxugando as mãos ensanguentadas no cabelo do ferido. 



Movido a Álcool - Raul Seixas

Diga, seu dotô as novidades 
Já faz tempo que eu espero  
Uma chamada do senhor 
Eu gastei o pouco que eu tinha 
Mas plantei aquela cana  
Que o senhor me encomendou  
Estou confuso e quero ouvir sua palavra  
Sobre tanta coisa estranha acontecendo sem parar  
Por que que o posto anda comprando tanta cana 
Se o estoque do boteco 
Já está pra terminar  
Derramar cachaça em automóvel  
É a coisa mais sem graça  
De que eu já ouvi falar 
Por que cortar assim nossa alegria  
Já sabendo que o álcool também vai ter que acabar?   
Veja, um poeta inspirado em Coca-Cola  
Que poesia mais estranha ele iria expressar?  
É triste ver que tudo isso é real  
Porque assim como os poetas  
Todos temos que sonhar

ATIVIDADES

1 – Comente sobre a relação da cana que o eu lírico plantou e a cachaça em automóvel?

2 – Qual a preocupação do autor em acabar a cachaça do boteco?

3 - Por que ele acha sem graça?

4 –  Relacionando a música, Movido a Álcool e o poema de Álvares de Azevedo. Qual a semelhança entre:
             A)     “Se eu morresse amanhã.”
             B)     “Por que assim como os poetas, todos temos que sonhar”
Analise a partir do contexto histórico da época

5 – Qual a relação entre da canção Mulher Diabo com a Movido à Álcool? Cite um exemplo com trechos do texto.


6 – Em que os três textos tem de intertextualidade

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